TURQUIA



27 de Abril a 12 de Maio 2014

Parte I
Apenas duas semanas de férias e um destino a 5.000 km de distância. Rolar até lá demora 6 dias para cada lado e queimo as férias. Solução? Apanhar um avião e alugar uma moto.


A vida é feita de escolhas e as viagens também. Num país 8 vezes maior que Portugal há que optar por uma região. Escolhi a costa mediterrânica do Sul e a Anatólia Central, numa rota com cheiro a Otomano que consigo fazer em duas semanas. 

Além disso, o aluguer de motos em Istambul é pornográfico. Fica mais barato levar a minha moto até lá. Mas como sempre, fora dos circuitos “famosos” as coisas são diferentes. Em Antalya descobri várias empresas de aluguer de motos a preços razoáveis. Escolhi uma sem razão nenhuma. Apenas porque a página de Internet deles estava bem construída, tinha comentários de clientes e porque tive uma daquelas coisas a que chamamos “feeling”. Aluguei uma Yamaha 660R, a bom preço e que me permite andar em qualquer tipo de estrada.



Aterro em Antalya já perto da meia-noite. Foi o voo mais barato que havia. Mr Guven está à minha espera. Faz parte do pacote de serviços do aluguer da moto o transfer do aeroporto para o Hotel. Conheceu-me por ter o capacete no saco pendurado ao ombro.

O caminho para o Hotel faz-se por avenidas largas, bem iluminadas, rotundas e semáforos a funcionar. Uma cidade cosmopolita moderna. Sinto-me um bocado ignorante. Estava a pensar encontrar um ambiente mais parecido com o caos. Mr. Guven, num inglês razoável, vai explicando a história dos locais onde passamos. Quando chegamos ao Hotel já tinha perdido a cerimónia e bombardeia-me de perguntas sobre os meus planos.
Mostro-lhe o mapa do percurso que quero fazer. Ficamos à conversa até muito tarde. Faz questão de me explicar como são os Turcos. Diz-me que nos locais turísticos ninguém me irá incomodar. Mas mais para o interior, onde não estão habituados a turistas, de certeza que me vão bombardear com perguntas, com a agravante de ser muito raro ver uma mulher de moto e sozinha. Avisa-me para ter cuidado, não dar conversa. Mas diz-me que não tenha medo. A Turquia é um país muito seguro. 

PS: Ele só se esqueceu de mencionar uma palavra: São uns chatos, não param de fazer perguntas. No entanto desistem rapidamente ao primeiro franzir de sobrolho.

No meu plano de viagem está previsto passar um dia em Antalya. Para me ambientar e preparar a partida. Combino ir buscar a moto a seguir ao almoço e tratar das papeladas.

Aproveito a manhã para visitar a cidade. Antalya é um destino turístico conhecido. Uma cidade virada para o Mediterrâneo, um pequeno centro histórico bem conservado com forte presença romana. Pedaços de ruínas espalham-se pela cidade e arredores. Entra-se na cidade antiga pela porta de Adriano, um arco construído em honra do imperador romano que visitou a cidade em 130 D.C. Como qualquer país árabe, o comércio ocupa as ruas, lojas para turistas com tapetes, cerâmicas coloridas, bugigangas, artigos (identificados) como falsificação, especiarias artisticamente dispostas em pirâmides alinhadas por cores e muitos, muitos restaurantes. Cheira a Kebabs.











Os Turcos são negociadores agressivos. As tácticas de Marrocos aqui não funcionam. O método é mais psicológico. Começam por nos chamar com um sorriso. Enrolam-nos com elogios e piropos, fazem um ar muito interessado no nosso país, oferecem chá e turkish delights e se não tivermos a vacina anti-compras saímos da loja cheias de bugigangas e sem dinheiro. 

A marina está cheia de barcos de piratas que fazem cruzeiros pela costa. Todos em madeira com estátuas de piratas de filmes, sereias e monstros marinhos. Vendedores de cruzeiros chamam os turistas. Centenas de turistas de chinelos e pele vermelha que invadem as lojas. Japoneses, alemães e russos.






Numa das ruas empedradas do centro antigo está um engraxador de sapatos. Tem uma pequena banca ornamentada e colorida. Tiro uma foto sem ele perceber mas logo a seguir ele levanta a cabeça e instantaneamente chama-me a apontar para uma caixa.  Mais perto, gesticula. Assim que me aproximei aponta para os meus pés. Rapidamente começa a passar cera num dos sapatos. Pede-me 10 Liras pela engraxadela. Refilo. Ralho com ele em português. Só lhe dou 5 Liras e porque lhe tirei uma foto (é como se fosse o pagamento pela foto). Fui mesmo enganada com o truque dos turistas. Afasto-me aborrecida. Serve de alerta para os restantes dias. É assim em todo o mundo. Turista é para enganar e sacar moedas.



Quando fui buscar a moto tive outro daqueles “feelings”. Esta matrícula só pode prometer boas vibrações. Não percebo nada de numerologia mas esta combinação agrada-me. Vou fazer uma boa viagem.


Sair de Antalya foi um pesadelo. Segundo as indicações, basta seguir pela avenida abaixo e logo ali encontro a estrada junto ao mar. Parece-me que os Turcos são parecidos com os alentejanos. É já ali e demorei 2 horas a sair da cidade. Sim, era fácil, a avenida era larga, mas tem 20 km e está entupida de trânsito e semáforos. Começo a pensar que aqui é tudo grande e longe. Só cerca de 50 km depois de sair da cidade é que me senti de férias. Finalmente uma estrada sem trânsito, paisagem aberta. 

A condução dos turcos é bastante agressiva. Um bocado caótica para os nossos hábitos de Ocidental bem comportado. Existem regras de trânsito que eles cumprem. Mas só param na linha limite do cruzamento. Até me habituar a isto apanhei uns valentes sustos. Fartei-me de buzinar. Umas vezes com medo outras de raiva por causa das razias que me faziam ao ultrapassar. Os camiões são os reis da estrada. Não, não são velhos e ferrugentos. São máquinas recentes e modernas, silenciosas e velozes, ultrapassam-se uns aos outros, enchem a estrada. O mais prudente é sair do caminho deles. Ir com calma.






A 1ª etapa é curta. 200 Km até Kas, uma estrada sempre junto à costa, ora sobe os montes, ora segue rente ao mar. Paro numa pequena cidade onde viveu São Nicolau, o bispo de Demre, cujo sarcófago está numa igreja construída em sua honra. Segundo reza a lenda, S. Nicolau foi famoso pelos seus milagres e generosidade. Os seus restos mortais foram levados por mercadores para Itália e a sua santidade deu origem a que se tornasse padroeiro da Grécia e da Rússia. O culto do padroeiro S. Nicolau deu origem à personagem do Pai Natal que conhecemos hoje. No centro da cidade há uma estátua com uma lápide explicativa.




Muito perto de Demre encontram-se as Myra Tombs, uma intrincada rede de túmulos antigos escavados na colina datados do Séc. IV A.C. Mais tarde os romanos construíram ali uma acrópole da qual ainda está bem preservado o teatro. A rua de acesso às ruínas está cheia de lojas de recordações religiosas de S. Nicolau e de pedras sagradas das ruínas. Paga-se 10 Liras para visitar. Deixo a moto junto a uma banca de sumo de laranja. O moço diz que guarda, não há problema. Diz que eu devo ser muito forte para andar com uma moto tão grande. Arregala os olhos a olhar para ela.







Cheguei a Kas ao fim da tarde. A estrada desce o monte com uma vista soberba. Pequenas ilhas perto da costa, um porto cheio de barcos. Uma vila piscatória, amorosa. A esplanada junto ao mar está cheia de estrangeiros. Só ouço falar inglês. Peço um chá e espero pelo casal de ingleses que gentilmente me convidou a pernoitar em sua casa. O David e a Juliet estão reformados e contam-me que andaram pelo Sul de Portugal e Espanha à procura de uma casa para comprar. Os preços eram tão caros que acabaram aqui. Adoram viver cá. A vida é muito mais barata e as pessoas muito hospitaleiras. Nos arredores há milhares de ingleses que adotaram a Turquia. Foi a 1ª surpresa do dia. No rumo da conversa comentaram que a ilha, mesmo aqui em frente já é da Grécia. Pode-se ir a nado. Não me admira que os turcos tenham comichão por ter os gregos ao pé da porta. Guerras antigas.






Quando ando a viajar gosto de sair de madrugada. Ainda não há trânsito, a luz matinal é fantástica. A estrada que vai de Kas até Kalkan corre sempre junto ao mar. Larga, bem sinalizada, curvas deliciosas e ventosa. Espectacular. Apetece ir e vir várias vezes. O mar é de um azul esverdeado, águas calmas, horizonte largo. Chamam a esta costa de Riviera Turca. 

O David acompanha-me até Kalkan. Tem uma moto igualzinha à que aluguei. Ele conhece bem a zona e de vez em quando desaparece para surgir mais à frente no cimo de uma curva de máquina fotográfica na mão. Fez umas fotos fantásticas. 

A maior dificuldade de quem viaja sozinha é aparecer nas fotos. Muitas vezes me perguntam porque tiro tantas fotos à minha moto … pois, porque não há ninguém por perto para tirar a mim.

 Photo by David Bird

Photo by David Bird

Photo by David Bird

Photo by David Bird

Photo by David Bird

Photo by David Bird

Photo by David Bird

Photo by David Bird



Em Kalkan corto para o interior rumo a Pamukkale. Começa a chover, um dilúvio que me acompanhou nos 300 km até ao famoso “castelo de algodão”. Tinha planeado visitar o complexo durante a tarde. Mas não para de chover. Alteração de planos. Acabo a tarde toda na conversa com o simpático dono do Hotel que se ofereceu para me levar lá acima amanhã.
Amanheceu com sol. À pendura numa scooter eléctrica que já teve melhores dias, sem capacete, o dono do Hotel levou-me até ao portão Sul de Hierapolis, a 6 km da vila. Demorei mais de 2h a visitar as imponentes ruínas e outras tantas a passear pelos terraços e piscinas de água morna. É obrigatório andar descalço pelas piscinas. O chão é mole e branco. A água corre morna.

Pamukkale, classificada como património da UNESCO, é um complexo formado por nascentes termais de água quente e origem calcária que ao longo de séculos formaram piscinas e terraços na encosta. Dizem que as suas propriedades são medicinais e curam várias doenças. No topo da colina estão as ruínas de uma cidade – Hierapolis – que incluem uma piscina termal conhecida por Cleopatra’s Pool, um monumento construído no local onde se acredita que o apóstolo Filipe foi cruxificado, um teatro romano entre outras ruínas. 















Quando acabei a descida já passava da hora de almoço. Devorei uma sandes rápida, vesti o equipamento ainda ensopado do dia anterior e voltei à estrada. No plano inicial estava previsto chegar hoje à Capadócia. Já não é possível. Ainda bem que não reservei nenhum hotel. Fico livre de parar onde quiser.

A meio da tarde desata a chover de novo. Bátegas fortes, granizo e vento. A estrada está ensopada, correntes de água que empurradas pelo vento formam ondas. Fez-me lembrar as ondas de areia que serpenteavam na estrada quando andei pelo deserto no Sahara Ocidental. Assustador. Só que aqui são de água e juntam-se às ondas que respingam dos rodados dos camiões. Sinto-me molhada, gelada e infeliz. 

São só 4:30h da tarde. Estou exausta e farta de chuva e vento. Decido parar em Egirdir, uma vila na margem de um lago fantástico, tapado por nuvens negras. Estou tão desesperada que paro no 1º hotel que vejo. Tem 4 estrelas. Que se lixe. Pergunto o preço. 23 Euros. Nem quero acreditar. Vou-me mimar num quarto de hotel espaçoso e quentinho. Penduro o equipamento no aquecedor e vou para o duche a escaldar. Fiz apenas 200 km. Uma viagem ao ritmo da chuva.





Quando saio para jantar a chuva parou. Dou uma volta pela vila e aproveito para comprar presentes. Fora da época turística é sempre mais barato. Tão barato que nem preciso regatear. Encontro um restaurante cheio de gente. Só pode ser bom com tanta clientela. Não percebo nada do menu. Só me resta apontar para uma foto com uma pitta de bom aspecto. Os empregados não falam inglês. Bem tentam meter conversa mas é difícil. A única coisa que sabem dizer é “where r you frome?” Uma resposta é inútil. Encolho os ombros. Um velhote lá ao fundo gritou qualquer coisa e os empregados deixam de chatear.





Começa a ser um padrão. Amanhece solarengo. O nascer do sol sob o lago é fantástico. Parto de madrugada a tentar compensar o tempo de perdi ontem com a chuva. Já não penso em planos de viagem. Seja o que for. E vou gozando uma estrada maravilhosa que contorna o lago e revela uma paisagem grandiosa, a água reflecte as montanhas ao fundo. Uns km à frente outro lago – Beysehir. Estou na região dos lagos, área muito fértil, campos cultivados, margens de caniçais, aldeias e tractores, verde a perder de vista. Parecida com os lagos suíços ou franceses com a única diferença que em vez de igrejas há mesquitas e a sinalização está escrita com caracteres estranhos.

Ao atravessar uma pequena vila senti o cheiro a pão e bolos. De repente percebi que tinha fome. As padarias na Turquia são obras de arte. Vários tipos de pão, delícias de forno sem cremes artificiais, montras irresistíveis. Uma tentação que nos arregala o olho, entope o olfacto, nos envolve nas recordações do pão quente da avó. Não resisti. Três bolos e pastéis folhados, um chá por 60 cêntimos. Adoro estas Pastanesi. Fiquei com farnel para o resto do dia.









Vou na expectativa de visitar Konya e o famoso museu de Mevlana. No cimo do monte, junto aos vulcões extintos avista-se a cidade que se espalha no horizonte. Gigantesca. Vou gastar o resto do dia perdida numa cidade de 1 milhão de habitantes. Desisto, sou um pouco alérgica a grandes cidades. Gosto mais de espaços abertos, com pouca gente. Sigo viagem. 

Até à Capadócia, a estrada é uma linha recta de 150 km. Chamam a esta região o celeiro da Turquia. Uma planície de campos de trigo, batida pelo vento, uma via rápida interminável. Hoje ainda não choveu mas as rajadas de vento quase me levam pelo ar. Uma hora depois estou cansada de levar tareia e conduzir a moto de lado. Procuro uma estação de serviço que tenha restaurante. Preciso de um chá. Mas esta zona é quase deserta. Só bombas de gasolina e nada de serviços. 




Esfomeada parei numa estação que tinha uma mesa de madeira e bancos corridos frente ao escritório do gasolineiro. Tirei os bolinhos da mala e a garrafa de água que me acompanha sempre. Sentei-me no meu picnic com a companhia de 2 galinhas que andavam por ali. O gasolineiro saiu e percebeu que não queria abastecer. Entrou e saiu de novo com uma caneca de chá quentinha. Pousou na mesa sem uma palavra e foi embora. Deixou-me sozinha no meu banquete. Quando quis pagar recusou e fez-me um sinal de boa viagem. Insólito. 



Na Turquia é tudo grande. Os homens são altos e fortes, as cidades são enormes, as distâncias que ligam dois pontos de interesse são gigantescas. Entre Pamukkale e a Capadócia são 600 km, mais do que ir do Porto até Faro.

Ao final do dia chego a Goreme, bem no centro da Capadócia. No posto de turismo uma senhora mal-encarada e desinteressada anunciou que não havia alojamentos. Tudo esgotado. Não pode ser, pensei. Tenho uma hora até cair a noite. Fui procurar um hotel que tinha visto num site de viajantes. Também esgotado mas o recepcionista diz que conhece uma residencial que tem quartos. E que até pertence à mãe dele. Pronto, senti que o assunto estava resolvido. Bem no centro da vila, uma casa simples, um quarto modesto e limpo, uma senhora amorosa, inclui pequeno-almoço, tudo por 17 euros. A sorte protege os audazes. 

Uma conversa de mímica com a senhora da casa e percebi que os restaurantes do centro são todos caros. Ali para a esquerda é que devia ir. Segui o conselho e aterrei num pequeno restaurante, mãe na cozinha e filho nas mesas. Uma sopa da Anatólia absolutamente deliciosa e um Toutinni. Depois de jantar dei uma volta pela vila. As lojas de recordações ocupam as ruas todas e fecham tarde, o supermercado ainda está aberto. Muitos turistas russos e japoneses. Agências de viagens que anunciam tours pela região e autocarros com destino a Istambul e outros pontos turísticos. Preços acessíveis e uma multidão de jovens de mochila às costas que vai viajar de noite. 













Acordo no meio de uma paisagem lunar. O pequeno-almoço é no terraço onde se avistam estranhas formas pontiagudas que apontam aos balões que sobrevoam a zona. Esta região é caracterizada por formações geológicas moldadas através dos séculos pela erosão do vento e por vales profundos onde ainda correm rios. As rochas vulcânicas macias permitiram que fossem escavadas habitações e abrigos. O resultado é uma paisagem desértica, disforme, quase apocalíptica. 


Dois dias a explorar a zona. Fui a todos os locais que vêm nos roteiros turísticos. Pigeon Valey, Vale de Ihlara, Mosteiro de Selime, Rose Valey, Love Valey e muitos outros que não sei o nome, subi a todos os miradouros e desci à cidade subterrânea de Derinkuyu. Aventurei-me pelos caminhos de terra por entre rochas de formas caprichosas e cavernas desabitadas, deambulei calmamente num planeta diferente.







Pigeon Valey deve o seu nome aos milhares de pombais escavados na rocha macia desde os tempos antigos. Os pombos eram usados pelos Romanos como correio de mensagens entre as regiões e os excrementos de pombos são muito populares nos agricultores como fertilizante. Do alto do Vale avista-se uma paisagem fantástica de formações rochosas pontiagudas conhecidas como chaminés de fada (fairy chimneys).







As cidades subterrâneas serviam de refúgios às populações nas guerras da era Bizantina, das perseguições Romanas aos cristãos, ou, mais recentemente, usadas pelos Gregos da Capadócia para escapar às incursões dos Otomanos. São intrincados labirintos de túneis e cavernas, com vários pisos sob o solo que podiam albergar até 20 mil pessoas. A cidade subterrânea de Derinkuyu tem área de celeiro, estábulo, adega, refeitório, escola e até uma capela no piso mais inferior (cinco pisos abaixo do chão). Em todos os túneis se sente corrente de ar vinda de um complexo sistema de poços de ventilação. Muitas destas cidades estão ligadas umas às outras através de longos túneis. 





Selime Monastery é uma igreja-mosteiro situada a 28 km de Aksaray. Foi também quartel-general da região. Talhado na rocha, a grande altura, é o maior mosteiro da Capadócia, com uma igreja do tamanho de uma catedral onde ainda hoje restam vestígios de frescos de há muitos séculos. Servia também como paragem das grandes caravanas da rota da seda onde os mercadores procuravam refúgio durante a noite. Entra-se por uma rampa e escadas muito íngremes não aconselhável a vertigens. Lá em cima desfruta-se de uma paisagem fabulosa.







O percurso foi aconselhado pela dona do Hotel, numa conversa de mímica (ela não fala inglês) a apontar os locais no mapa. Aconselhou-me os restaurantes mais baratos, os caminhos por onde passear, as lojas a evitar. Estivemos uma tarde inteira à conversa, por entre gestos e risos.

No dia em que parti a moto fazia um barulhinho esquisito. Percebi que, enrolado no guiador, tinha um anel de bordado turco com uma pedra de olho da sorte (chamado de Evil Eye o símbolo do olho é considerado como um amuleto poderoso de protecção contra as forças do mal). 















Cada vez que passo no cruzamento do centro da vila, o rapaz da loja de aluguer de motos grita qualquer coisa para mim. No final da tarde do 2º dia, quando vou fazer as últimas compras percebo um “Can I help you?”. Paro e olho para ele - Yes, you can!

E explico que preciso de por óleo na corrente da moto mas não tenho descanso central e sozinha não o consigo fazer. Olhar espantado e uns minutos calado. Depois abre um sorriso. Chama o mecânico da oficina. Lubrificam a corrente, verificam a pressão dos pneus e o nível de óleo. Vai buscar chá e bombardeia-me de perguntas de onde sou e o que ando a fazer e para onde vou. Não percebe o que é Portugal mas falo no Ronaldo e os olhos brilham.  Haaaa ....  Portuguisi (descubro que Portugal é um país que se chama Portuguisi porque o Ronaldo é Portuguisi). Agora entendo porque quando dizia que sou de Portugal ninguém me entendia. Eu não ligo nada a futebol mas que facilita a vida de quem viaja, facilita! 





Continua ... Parte II brevemente aqui

3 comentários:

  1. Lindo!
    Valeu a espera :-)
    Continuo a achar que não bates bem, a sair assim para lugares tão "fora de mão" sózinha, mas ainda bem que tens essa coragem, e nos delicias com estas aventuras. Cada uma que leio, fico mais roxa de inveja ;-)
    Quero mais...

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  2. Os relatos das tuas viagens são como entrar um pouco nas tuas aventuras!
    Só um aparte... reparaste na matricula na moto por alguma coisa... bom há coincidências, relamente, as letras EVL são as do amuleto "EVIL EYE" ;)!

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