No Reino do Dragão 

Sikkim - Bhutan Tour 2013


Duas semanas a viajar pelos Himalaias. Paisagens fantásticas, templos coloridos, uma sociedade diferente. Uma viagem que não foi apenas andar de moto. Teve uma componente cultural e de aprendizagem muito forte.


Parte III
(há mais para ler)


QUINTA-FEIRA, DIA 21 MARÇO 2013


Mais um dia a levantar de madrugada. Às 6h da manhã já estamos na estrada. Hoje vamos enfrentar duas centenas de km pela Highway 31. Descer a montanha até ao vale é um tormento. A estrada está em obras de alargamento, em muitas curvas a terra deslizou da encosta e obstruiu a estrada. 2 horas de inferno para mim que não gosto de todo-o-terreno e 2 horas de divertimento para os meus companheiros de estrada que adoram isto.













Finalmente no vale, atravessamos uma ponte e estamos na famosa Highway. Mais parece uma estrada Nacional mas para os indianos, uma estrada com bom alcatrão e uma faixa para cada lado, é uma auto-estrada. Uma placa avisa sobre o “Project Swastik”. O guia explica que está em curso um projecto de alargamento da Highway para a tornar uma auto-estrada de alta qualidade, ou seja, duas faixas de rodagem para cada lado. Não consegui disfarçar um sorriso. Nem os alemães.

E explica também que o símbolo Swastik é um símbolo muito usado na tradição hindu e budista. Está associado a “uma coisa boa” e “auspiciosa”. Faz questão de afirmar que o símbolo dos nazis é uma adaptação invertida deste antigo ornamento sagrado e que eles estragaram a pureza do significado. Já percebi porque vi esta cruz em muitos mosteiros por onde passámos.











A auto-estrada indiana, que para nós é uma estrada Nacional, é uma estrada larga com muito trânsito, sem bermas, atravessada por bicicletas, peões e animais. Mesmo assim, conseguimos uma velocidade razoável, por vezes acima dos 80 km/h. As Royal Enfield até esgotam o punho. Já não sabia o que era andar numa estrada com poucas curvas.

Sempre junto aos campos de chá, o dia está bonito. Km de campos de chá onde se vêem pessoas a trabalhar, pequenos pontos coloridos no meio do verde. Rolamos junto a uma linha de comboio. Descubro que o comboio atravessa a auto-estrada porque estamos quase uma hora numa passagem de nível à espera que passe o comboio. Aproveito para tirar fotos.














A meio da manhã, paramos para descansar e tomar um chá. Um restaurante-hotel espaçoso, chão em cimento pintado, cheio de locais. Ainda são 11h e já há pessoas a almoçar. Comem com as mãos, enrolam o arroz no molho, rapam o prato. Ando a tirar fotos. Espreito para a cozinha. Fogão de bicos de gás, panelas no chão, cheira a especiarias. Fico sem vontade nem sequer de tomar chá. Nem uma garrafa de água. O espaço é curioso, tem duas áreas reservadas para refeições privadas. Um luxo.









À saída o guia comunica com ar solene: vamos fazer o pior bocado de estrada de toda a viagem. Penso que está a brincar connosco. Estamos a 30 km da fronteira com o Butão e numa auto-estrada. Não pode ser assim tão terrível.
Arranco a pensar que nos está a pregar uma partida. Depois de andar pelas montanhas em estradas de buracos, com partes da estrada que não existem, nada pode ser pior. Enganei-me.

Poucos km à frente entramos num estradão de gravilha. Menos mal, ainda se faz. Meia hora depois paramos. Ele avisa que vai ficar pior. Começo a acreditar em tudo. Então um dos alemães lembra-se que podemos fazer um vídeo do pessoal a passar na estrada. Como só eu tenho máquina de vídeo combinamos eu ir à frente fazer umas paragens para os filmar. Lá vou eu com atenção ao caminho a procurar sítios onde possa parar. Depois eles vão esperando por mim, passo por eles outra vez e mais à frente paro para filmar. Com isto tudo até me distraio da estrada do inferno. Doem-me as pernas de andar em pé. Não há outra forma. Os buracos são crateras. Há pontos onde a moto bate no chão. Penso que ainda bem que não é minha. O trânsito é contínuo. Camiões enormes avançam devagar por onde conseguem. Não há regras, qualquer pedaço de estrada pode ter dois sentidos. É onde se conseguir passar melhor. Nem tenho tempo de ter medo. Só quero chegar ao fim sem cair. Acho que nunca andei tão depressa numa estrada de terra. Tenho alguns amigos que se me vissem agora iriam ficar espantados comigo. A medricas da Paula de moto por maus caminhos. Até me dá vontade de rir quando penso que o pessoal do TT anda com motos todas artilhadas de protecções e pneus de tacos e eu ando por aqui com pneus de estrada, carecas. O instinto de sobrevivência faz milagres.



Highway 31 - India 2013 from Paula Kota on Vimeo.


Finalmente chegamos à fronteira entre Jaigaon (Índia) e Phuntsholing (Butão). Temos de carimbar o visto de saída da Índia. O controlo de fronteira é feito por dois funcionários com ar enfadado, sentados atrás de um guichet. Além disso temos de mostrar o visto de entrada no Butão para ser carimbado o visto de saída da Índia, senão não deixam sair. O guia apanha os passaportes de todos e trata com os funcionários. Já o conhecem, faz isto muitas vezes.

Enquanto esperamos na sala de entrada, sentados e exaustos da tareia dos buracos entra um grupo de turistas ingleses. Olham para nós com curiosidade e risos. Uma senhora aproxima-se e mete conversa - Eram vocês nas motos que vimos agora na estrada?! É que vínhamos a pensar que estávamos a viver uma enorme aventura passar aquela estrada de jeep … até os vermos passar por nós …

Ya, Ya responderam os alemães. Alguns sorriram. Não me apetece nada rir disto, apanhei um susto daqueles. Mas por simpatia, acenei com a cabeça. Já tinha feito uns bocadinhos de estrada em más condições quando fui até Bissau … mas bem devagar (ainda hoje os companheiros dessa odisseia me gozam por eu andar tão devagar). Mas nunca com este trânsito infernal.












A linha de fronteira é apenas um arco colorido que separa os dois países. A fronteira é aberta e tem um polícia sentado debaixo do arco e que vai cumprimentando quem passa. Não se percebe se há vigilância sobre as pessoas. Mas, indirectamente, ela existe. Os estrageiros só entram no Butão com viagens programadas e acompanhados de um guia que tratou das formalidades. Os negociantes e camiões têm obrigatoriamente de ter uma autorização para circular no país. O Polícia da entrada sabe disso e não se preocupa muito em controlar quem entra ou quem saí. Como a “cidade” é muito pequena, os habitantes conhecem-se todos e sabem quem é novo por aqui. Têm o dever de informar as autoridades se detectarem alguma situação estranha. Faz-me lembrar um Big Brother em tamanho real.






(do outro lado da fronteira, já dentro do Butão)






Chegamos ao hotel depois das 3h da tarde. Um almoço tardio de MOMOS, outra vez. Mudo de roupa rapidamente para visitar a cidade. O guia diz que é seguro eu ir passear sozinha pela cidade. No Butão não há criminalidade. O pior que costuma acontecer é alguém beber um copo a mais e discutir com o vizinho. E parece que não é necessário ir trocar dinheiro ao banco (a moeda oficial é o ngultrum) porque o câmbio é igual à Rupia indiana que é aceite em todo o lado. Já a sair do Hotel o guia atirou mais um aviso – não te surpreendas se olharem fixamente para ti. Só tenho 3 grupos de motociclistas por ano. A esta hora já todos sabem que entrou um grupo de motos e que uma condutora é mulher. Nunca aconteceu. Fiquei a perceber porque os empregados do Hotel me olharam com tanta curiosidade.

Phuntsholing é a cidade fronteira do Butão por onde entra a maioria dos bens importados. Predominantemente comercial, a cidade (com cerca de 22 mil habitantes) resume-se a duas ruas de grandes lojas de venda por atacado e um largo onde há um pequeno templo e uma roda de oração. A maioria da população vive nos arredores, espalhada pelos campos.

Aqui a vida é diferente. Ao passar o arco da fronteira tudo muda. As ruas estão bem asfaltadas, têm passeios para peões, não há lixo nem vacas nas ruas. As pessoas vestem trajes típicos do Butão. Há pouco tráfego de carros, à excepção da estrada principal por onde passam alguns camiões.

As lojas são movimentadas, vendem tecidos, lã a granel, electrodomésticos, electrónica ou bugigangas. São completamente abertas para a rua. Como o hábito dos butaneses é sentarem-se de pernas cruzadas, o espaço interior das lojas está ocupado por um grande colchão onde os comerciantes recebem os clientes, estendem os tecidos, bebem chá. Cadeiras é uma coisa recente por aqui. Coisas de turistas ocidentais.

Os butaneses de Phuntsholing não têm concorrência. Não estão virados para o turismo. É uma cidade de comércio de bens essenciais à economia. Entramos numa loja e não nos ligam. Nem um cumprimento. Se não lhe perguntarmos algo nem nos falam. Nunca me tinha sentido tão invisível dentro de uma loja.












Como de costume, o jantar estava marcado para as 19:30h. Chegamos todos atrasados. No Butão a hora é diferente. Do arco para cá é meia hora mais tarde. Acertamos todos os relógios.

Olho com curiosidade para o buffet de jantar. O guia disse que a comida no Butão não é tão condimentada e não usam picante. Galinha guisada, legumes cozidos ao vapor e DAL. O arroz é vermelho, uma espécie característica do Butão. O cozinheiro deve-se ter esquecido do arroz ao lume porque parece argamassa. Por sorte há nuddles – massa chinesa fininha. Estou safa. O meu jantar é massa com legumes. O frango cheira a mofo.

O guia está a contar um pouco da história do país, em inglês para eu perceber. Uma área de pouco mais de 38 mil km2 (menos de metade da área de Portugal) com uma população de cerca de 700.000 habitantes. Um país muito jovem com uma média de idade que ronda os 24 anos. Até a dinastia real é jovem. Vão no 5º Rei. O Butão foi unificado apenas em 1907 quando foi coroado o 1º Rei. Antes disso era uma terra de feudos, cada um com um governador.

Só entrou na ONU em 1971, a conselho e com a ajuda da Indira Gandhi que se tornou amiga da família real depois de uma visita ao Butão. Também as relações externas do país foram governadas até há pouco tempo sob a tutela da Índia. Isto serviu para reforçar a independência do Butão relativamente à China, com quem têm antigas disputas de soberania de território. A China anda a pressionar as relações comerciais com o Butão e em jeito de piada, o Tenzin comenta que os chineses andam a construir grandes estradas até poucos km da fronteira leste. A Norte sempre estiveram protegidos pelo maciço de montanhas, uma barreira natural que impediu os chineses de chegar ao Butão quando ocuparam o Tibete.
As emissões de radio começaram apenas em 1973 e no ano seguinte o país abriu ao turismo. Isto significa que a cultura butanesa só há 40 anos é que teve contacto com estrangeiros. A Internet e televisão apareceram em 1999. Tudo é muito recente comparativamente ao resto do mundo.

Lá fora está a chover e a trovejar novamente. Raios fantásticos iluminam o céu. A terra treme.



SEXTA-FEIRA, DIA 22 MARÇO 2013


Partimos de Phuntsholing muito cedo. Dormir 8h por noite começa a ser um sonho. Os dias são ambiciosos e as estradas tortuosas. O plano é fazer da parte da manhã os 180 km que nos separam de PARO, uma das grandes cidades do Butão. Saímos sem tomar pequeno-almoço. Só há chá preto e uns pacotes de biscoitos que o vigilante do turno da noite nos presenteou cheio de cerimónias. Às 5:30h da manhã ainda estão todos a dormir.

Só existe uma estrada que liga a fronteira da cidade mais próxima – PARO – e nesta estrada há (pelo menos) três controlos policiais de veículos, pessoas e bens. Não há outra forma de entrar país dentro pois tudo o resto são montanhas altas sem caminhos para se atravessarem. É quase uma barreira natural que ajuda as autoridades a controlarem quem entra no Butão.

A estrada é fantástica, larga, bom piso. A paisagem é avassaladora. Montanhas verdes, altas, florestas densas. O horizonte apenas mostra picos de mais montanhas. Está frio e húmido, o sol esconde-se atrás das nuvens cinzentas. O céu continua branco. Mas a estrada é fabulosa, o nirvana nas alturas. Curva e contracurva, a cada curva uma nova visão do mundo, sempre a subir. Das encostas escarpadas correm ribeiros de água. Vamos serpenteando pela montanha, há pouco trânsito, a estrada é nossa. Em pouco mais de uma hora subimos até aos 2.500 metros. Nesse curto espaço de tempo deixei de transpirar de calor e comecei a tiritar de frio. Parei para cozer o forro do blusão. Depois parei para vestir o polar e finalmente para trocar de luvas. Pelas 7h da manhã começamos a cruzar com camiões coloridos, carregados, circulam devagar e dão passagem às motos. Tão diferente da Índia.















Contornamos para o outro lado da primeira montanha, descemos ao vale para subir de novo a próxima montanha. Cada vez mais alto, um sobe e desce contínuo, montanha após montanha. Pelas 9h da manhã paramos em GEDU uma aldeia de poucas casas e um pequeno restaurante. O pequeno-almoço é o que há … arroz, ovos mexidos e chá. Tenho o estômago colado às costas. Não sei se as tonturas são de fome ou das curvas. Os locais olham-nos com curiosidade. Não falam, não metem conversa. Apenas olham.

As casas estão encavalitadas nas encostas, quadradas, frisos coloridos ornamentam as janelas e as sancas. Parecem casinhas de brincar. Não se vê lixo no chão.







Partimos de novo. A estrada, escavada a custo na escarpa rochosa, por vezes fica estreita e só cabe um carro de cada vez. De um lado a parede da montanha, do outro o precipício. As curvas são apertadas, sem visibilidade. Muitas pedras no chão, atiradas pela tempestade de ontem. Um perigo em cada curva. Encontramos um camião virado na estrada. Já lá deve estar há uns tempos. De repente vemos uma mulher pequenina e magra, embrulhada num xaile, a agitar uma pequena bandeirola vermelha. Mais à frente homens  trabalham  porque a encosta está a deslizar sobre a estrada.











Desde a fronteira que passámos por dois controlos de polícia. Paramos em ambos para o guia mostrar a autorização de circulação das motos. Como são indianas têm de ter autorização especial. Não pedem passaportes nem visto de entrada. Os guardas olham-nos com atenção. São todos muito jovens.

Já do outro lado de um sem número de montanhas, um planalto alberga um rio que corre com velocidade. A estrada voltou a ser larga outra vez, acompanha o rio. No terceiro controlo de polícia estão todos parados. jeeps de turistas, camiões de carga e camionetes de passageiros. Toda a carga está a ser inspeccionada  as malas, os bolsos. Fazem uma revista nas malas laterais das motos, perguntam de onde somos, carrancudos. O guia fala com o que parece ser o chefe. Aponta para nós e para a carrinha cheia de bagagem, tapada com um oleado e amarrada com cordas. Deixam-nos partir.

Mais tarde o guia disse-nos que é uma operação de controlo de tabaco. É proibido fumar no Butão e considerado uma ofensa fumar em locais públicos. No entanto, algumas pessoas têm autorização para o fazer, mas apenas podem importar 200 cigarros por mês e têm de ter o talão de pagamento de imposto (200% sobre o valor de custo) para mostrar à polícia. Por isso, há muito contrabando de cigarros, mercadoria que atinge preços altos no mercado negro. Quem for apanhado com cigarros ou tabaco de mascar sem documentos pode incorrer numa pena até 3 anos de prisão. Ao que parece, não costumam ser muito rígidos com os turistas.



















Já no final da viagem aproximam-se nuvens cinzentas, as montanhas estão cobertas de neblina. Quando chegamos a PARO começa a chover. Estragou-nos os planos. Tínhamos reservado a tarde para ir ao Tiger’s Nest um mosteiro perdido nas montanhas. É frequente aqui de repente desabar chuva e trovoada. O nome do Butão até está relacionado com isso. The Land of the Thunder Dragon ou o reino do dragão trovejante.







Enquanto chove vou à procura de presentes numa pequena loja mesmo ao lado do hotel. A senhora é simpática, num mau inglês explica-me os símbolos, mostra os sininhos usados pelos monges para a meditação, diz que faz um bom preço. Como sempre os meus olhos são puxados para as coisas mais caras. Tento explicar que quero pequenas lembranças de preço barato. Mostra-me algumas coisas. Acabo por gastar 25 euros em presentes. Mas comprei bastantes. E ainda consigo uma redução de 30%. Nada mau para os costumes butaneses. O guia tinha-me avisado que aqui não há negociação nem descontos. Como não há concorrência e a maior parte dos preços são tabelados pelo governo, os locais ainda não perceberam a técnica de aumentar o valor para depois fazer um desconto. Bem, alguns, porque a simpática senhora fez desconto do preço tabelado e de certeza que não perdeu dinheiro. Já deve estar habituada ao turismo.






A chuva parou tão depressa como começou. O céu abriu num azul lindo. Está uma tarde maravilhosa. Passo a tarde a descobrir PARO, uma pequena vila que aqui chamam de cidade, uma rua principal com muitas lojas, uma rua secundária paralela à principal e temos cidade.

PARO, uma cidade com cerca de 15.000 habitantes, situada a 2.000 metros de altitude é um dos destinos mais turísticos do país. Alberga o único aeroporto do Butão operado pela Druk Air, a linha aérea nacional Butanesa com ligações regulares para a Índia e outros países vizinhos.

As casas são construídas em madeira e pintadas de cores alegres, segundo a tradição arquitetónica do país. As lojas de turistas intervalam com lojas de produtos para locais. Pequenas vendas de doces e ainda mais lojas de bugigangas. Os Butaneses adoram coisas douradas resplandecentes e doces. As gomas, rebuçados e chocolates são coisas relativamente recentes por cá. Fazem as delícias dos jovens e adultos. Muitas lojas de roupa e tecidos. A maioria tem na etiqueta “Made in Bangladesh”. O Butão não tem indústrias, é quase tudo importado. E parece que não aposta na indústria por ser poluente. Como têm um rendimento confortável pela exportação de eletricidade, podem comprar aos vizinhos. E como no Bangladesh é onde se fabricam muitas das mercadorias que vão para a Europa, a moda aqui está sempre actualizada. Uma T-shirt de alças parecida com a moda de verão em Lisboa custa menos de um euro. Já estou arrependida de não ter trazido uma mala maior. Fartava-me de fazer compras.

Entro numa loja cheia até ao tecto de tecidos e trajes típicos. Túnicas, saias, camisas coloridas. Algumas mulheres escolhem padrões, falam depressa. Não me ligam nenhuma.

Por lei, durante o dia os butaneses têm de usar os trajes tradicionais. Os homens usam uma espécie de túnica – GHO – atada na cintura com um cinto – KERA. Fazem um fole acima da cintura que serve de bolso. As mulheres usam uma saia justa até aos pés – KIRA - e blusas coloridas.

Ao fundo da rua principal há uma fortaleza enorme. Está fechada e apenas a consigo fotografar de fora. Amanhã é aqui que vai ser o festival. Depois de deambular umas horas a ver montras e observar os locais volto para o hotel. É hora de jantar. São 7h da tarde, hora normal de jantar. Nunca tinha feito um horário destes. O despertar tem sido às 5h da manhã, o almoço às 2h da tarde e o jantar às 7h da tarde. Ando toda baralhada com as horas. Já nem uso relógio. É o que for.



















A comida do Hotel não sabe a nada. O guia tinha razão em dizer que era diferente da comida indiana. Mas até que podiam usar alguns temperos. Mais uma refeição de massa chinesa com legumes. Estou quase vegetariana. Ainda antes de terminarmos a refeição o empregado vem cobrar as cervejas. Mal pousamos o garfo já está com a conta na mão. Até me tentou cobrar o chá. Comento com o guia se desconfiam que não pagamos as bebidas alcoólicas e se o chá não está incluído no pacote da viagem. Lá desfez o mal-entendido com o empregado. Explica que eles têm pouca experiência com turismo e pede-nos para desculpar o rapaz. Comenta também que eles não percebem porque os turistas ficam à conversa depois de comer. Por cá uma refeição é apenas uma refeição. As pessoas só falam quando têm alguma coisa para dizer. Há poucas conversas. Comem e vão às suas vidas. Ele entende porque já viveu na Alemanha e percebe os estrangeiros.

Depois de jantar combinamos o programa do dia seguinte. Alguns de nós continuam com a ideia de subir ao mosteiro. Descubro que quando parou a chuva, 3 dos alemães ainda pediram ao guia para ir lá acima. Fico aborrecida. Também queria ir. Eu e mais alguns. O dia seguinte que tinha sido planeado como um dia calmo, com mais horas de sono acabou por ser alterado. Para ir ao mosteiro e para assistir ao festival anual de PARO temos de nos levantar de madrugada outra vez. Raios, nestas férias dormir é um luxo. Quando chegar a casa vou estar 24h seguidas a dormir.

(continua) ...


Nota: Escrito ao abrigo do (Des)acordo ortográfico

1 comentário:

  1. Olá Paula!
    Já li a tua crónica até aqui e estou a gostar o que contas!
    Aguardo a tua subida para ver o Mosteiro! :)

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