Touratech Travel Event – A tertúlia dos Viajantes

Sentei-me na esplanada, uma folha em branco e uma caneta. Vai fazer a reportagem, dizem os meus Amigos. Brincam comigo, dizem cuidado que ela reporta tudo, porta-te bem senão estás na crónica. Tenho um sorriso divertido, olho para eles, para a folha em branco e lentamente deixo de os ouvir. Têm razão, apetece-me escrever, registar este bom momento.


Tudo começou na sexta-feira ao final da tarde. Sair de Lisboa foi um tormento. Decididamente, não gosto de cidades. Quando finalmente a estrada limpou da confusão do trânsito, senti-me bem. Chego a Avis já caiu a noite. Ao aproximar-me da pequena vila vão passando por mim muitas motos, encontro o parque de campismo cheio de gente, de entusiastas de viagens. A rotina do dia-a-dia rompeu-se nos km de estrada até aqui, as bifanas de Vendas Novas aconchegam, a estrada cura. O ambiente é de festa, a atmosfera é de amizade.

Na esplanada do restaurante, a abarrotar de viajantes, o mundo abre-se em viagens e experiências, destinos mais ou menos longínquos, a cerveja refresca e o jantar demora. Estamos no Alentejo, o ritmo acalma, há tempo para tudo.

As tendas das marcas que colaboram no evento estão montadas, as motos para test-drive alinhadas, reluzem, olham para nós a convidar ao passeio. Amanhã é o dia porque agora o João Dias leva-nos a viajar até ao Cabo Norte. A conversa acalmou, muita gente curiosa das histórias e com vontade de fazer o mesmo ouvia atentamente.

À entrada do parque continuam a chegar motos, amigos que se cumprimentam, conversam, conversam e conversam. A noite está morna, o ambiente está quente. E aqueceu ainda mais na segunda apresentação da noite, nas fotos da Argélia, viagem no deserto contada pelo Rui Tremoçeiro e pelo José Matias, areia e deserto, povos diferentes e aventuras tão bem contadas em duas horas que passaram em cinco minutos.

O tempo passa depressa, o relógio não pára, o convívio não tem fim. Pelo meio das tendas há chouriços a assar, medronho, tertúlias, risos e conversas. Pelas cinco da manhã os viajantes cedem ao sono, daqui a poucas horas recomeçam as actividades.

Às 9:30h da manhã começa o briefing dos passeios matinais. A adrenalina apodera-se dos participantes. Primeiro sai o grupo de 90 motos para o passeio off road, vão contornar a barragem do Maranhão por maus caminhos, liderados por bons amigos, exploradores do mundo. Equipados, motores impacientes para cruzar veredas, subir montes, atascar na areia e incursões na água. Vai começar a festa.

Meia hora depois alinho na partida para o passeio turístico. Atrás do Zé Garcia que lidera a coluna, Eu, a Gracinda e a Caxi e logo a seguir mais meia centena de participantes, cruzamos pequenas estradas secundárias, numa paisagem de terra castanho forte, campos amarelos à sombra de muitos sobreiros. Embalada pelo fresco da manhã a coluna de motos seguia calmamente. O espelho retrovisor mostra-me uma linha de motos ao longo da estrada, a perder de vista, até serem apenas pequenos pontos lá no fundo. Sempre achei que era uma visão linda. A rolar na Royal Enfield emprestada, o roncar do motor desperta a imaginação de histórias vividas por pioneiros do universo de viajantes. Duas horas depois, chegamos ao parque, corados e contentes. Nem todos, pois alguns perderam-se pelas tascas da região e só apareceram mais tarde.

Mas a animação dos passeios não esgotou os participantes do Touratech Travel Event. Cada vez está mais gente, continuam a chegar motos, trails e turísticas, encontros e saudações. Para cima e para baixo circulam motos, entram e saem do recinto as novas Yamaha Tenerés, as BMW da Bomcar, as Guzzi da Luzeiro que estão à disposição de quem queira experimentar e as Ducati da Lucapower para encher o olho . A Ural com side-car obriga a afastar as grades.

Para alguns a tarde é de preguiça. Sentam-se moles na sombra da esplanada, a conversa contínua, peripécias do passeio matinal, da visão de um Alentejo pachorrento, amarelo e quente. A paisagem dos montes com a barragem lá em baixo promete combinações de mais passeios por esta zona. Outros dormem nas tendas, à sombra dos pinheiros. A tarde está muito quente, os poucos que resistem deambulam pelos stands, refrescam-se com cervejas geladas e coletes térmicos da Mocasmoto. Parece um batalhão azul, a molengar por debaixo das tendas e dos enormes chapéus-de-sol da esplanada. Uma parte dos participantes estava ausente, os amantes do off road combinaram mais passeios, adivinham-se no horizonte verdascas de areia e terra, calor e atascanços.

Cerca das 4h da tarde começam os workshops programados. Há para todos os gostos e interesses. O Filipe Elias da Espaços Sonoros ensina a traçar rotas no MapSource a uma plateia atenta, lá fora os MotoXplorers mostram como se faz manutenção em viagem, a seguir o Fonseca, com os produtos da Arai e Spidi, alerta para os cuidados de emergência e segurança em viagem. Até ao pôr-do-sol a agitação é constante, o espaço está cheio de viajantes.

O jantar é animado, grupos de Amigos em mesas corridas, comida saborosa e demorada, conversas de rotas e países à espera das palestras da noite. Há hora marcada faz-se silêncio.

O Osvaldo Garcia não pode vir e a Gracinda Ramos aceitou o desafio e substituiu uma viagem a Angola por 17 mil km pela Europa, relatados com timidez e paixão, uma apresentação improvisada mas feliz de uma mulher curiosa do mundo.

Depois falou-se em espanhol entre as Astúrias e Pequim, um minúsculo carro que o Santos Borbolla conduziu pela Europa, atravessou a Rússia e desceu pela Ásia até ao país da muralha. O enorme terreiro frente ao parque de campismo estava lotado, uns sentados nas mesas e nos muros, outros de pé, centenas de pessoas ouviam atentas, riam-se das peripécias, viajavam pelo mundo, enquanto as muitas crianças brincavam nos baloiços do parque infantil ao lado. As estrelas e o brilho da água da barragem fazem companhia às apresentações da noite.

E já noite dentro, na hora dos aventureiros, o João Luís prendeu a atenção de todos com a boa disposição que levou até à África do Sul e depois até Luanda, numa viagem de km sem conta, que fez brilhar os olhos da assistência, arrancou gargalhadas divertidas das peripécias que contou e colou os assistentes às cadeiras até altas horas da noite.

É Domingo de manhã, num pequeno-almoço tardio depois de uma noite que resistiu ao despertador, vejo as motos irem partindo, uma atrás da outra. Aqui ao lado monta-se a mesa dos troféus para os 40 participantes que não resistiram ao apelo do Waypoint Travel Challenge e foram por esses campos fora fotografar paisagens.

Já não é uma folha em branco, são várias folhas escritas com sensações e saudades de um encontro genial, organizado pela Touratech Portugal / Rui Baltazar, sob o tema Viagens.

Paula Kota

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2 comentários:

  1. Gostaria de dizer que ... huuummm... bem....hhaaaaa...humhum ... pois...realmente....umas cenas que ... huum.... Gostei, "Prontos"....

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  2. Parabéns Paula Kota. :)
    Está fantástico o que li. Adorei. :)

    Boas Curvas
    Simone

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